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Talvez você não saiba, mas está em um mundo VUCA. E precisa se adaptar a ele
Junho de 2018

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Em breve, isso também não será verdade. No exato momento em que você lê essas palavras, tudo que você sabe sobre gestão está ficando para trás; a tecnologia que você utiliza na sua empresa, sendo ultrapassada; o que há de novo em inteligência artificial já não é mais tão novo assim. Porque tudo é VUCA.

A validade da sigla está protegida por seus próprios preceitos. As palavras vêm do inglês: o “v” é de volatility (volatilidade), o “u” de uncertainty (incerteza), o “c” de complexity (complexidade) e o “a” de ambiguity (ambiguidade). No CENEX, o termo chega como um dos temas abordados pelo instrutor Daniel Levy no Programa de Desenvolvimento de Executivos, o PDEC. E é ele quem explica esse novo conceito de mundo.

VUCA, esclarece Levy, é uma tradução para o nosso contexto atual. “Antes tínhamos uma trajetória linear, fatos acontecendo com uma previsibilidade alta e gerenciável. Hoje, por todas as consequências trazidas pela tecnologia e pela nossa evolução como indivíduos, há uma velocidade maior no ritmo de todas as coisas. E é isso que o VUCA traduz.”

Vamos ao porquê de cada termo. A volatilidade descreve um mundo onde a duração de tudo é cada vez mais curta. Nada mais é para sempre, mas por um tempo incerto e provavelmente menor. Isso serve para um ciclo de carreira ou a curva de vida de um produto, por exemplo; a incerteza aparece no sentido de que, antes, era possível estabelecer uma relação de causa e efeito entre os acontecimentos. Hoje há tantas variáveis em cada fenômeno que essa relação se torna improvável. Se há 15 anos uma empresa oferecesse um produto ruim em qualidade, mas aceitável em preço, não havia problema. Hoje o mercado exige mercadorias com um custo menor, de alta qualidade e, além disso, faz uma série de outras exigências que antes não eram consideradas; a complexidade fala da conectividade e interdependência do mundo atual. Nele não é mais possível prever resultados de ações isoladas, já que elas fazem parte de um sistema complexo; a ambiguidade, por fim, aponta para um universo onde não existe um único caminho. Tanto a estrada A quanto a B trarão perdas e oportunidades, e o que importa não é a opção que se faz entre as duas, mas a forma como esses caminhos são percorridos.

A maior parte dos termos que costumamos ouvir atualmente quando se fala em tendências corporativas e de gestão, como Indústria 4.0, Lean, Metodologias Ágeis, estão coexistindo em um universo VUCA. Isso porque consideram essas características na forma como se apresentam. “São ferramentas que nos auxiliam a viver em um universo volátil, incerto, complexo e ambíguo, onde eu não preciso de decisões permanentes, mas sim rápidas e que, mesmo errôneas, me ajudarão a evoluir no próximo ciclo”, diz Levy.

A liderança no universo VUCA

A Geração Y têm mais facilidade em liderar em um mundo VUCA? Talvez, mas ela também tem maior facilidade em operar um computador e, nem por isso os baby boomers estão fora do mundo digital.

Segundo Levy, a adaptação das gerações mais antigas a esses preceitos é uma questão de aprendizado. “Quem tem 40 anos não é um nativo desse contexto de mundo. Ele foi educado para lidar com uma realidade linear, segmentada, previsível, e agora precisa transformar seu modelo mental. Isso demanda esforço. Já para os mais novos o mundo VUCA é um cenário natural. As novas gerações já estão equipadas para administrar essas variáveis.”

E para mudar um modelo mental, a primeira atitude é a tomada de consciência. “Precisamos estar abertos a entender que o mundo mudou e temos que mudar com ele. Não se pode fazer as mesmas coisas e exigir resultados diferentes. O autoconhecimento é o primeiro passo, seguido da aceitação e, então, transformação de atitudes”, orienta Levy.

O planejamento estratégico morreu?

Não. Ele se transformou, é necessário e dá mais trabalho. O planejamento estratégico tradicional, determinístico, deixa de existir no mundo VUCA porque não é mais possível prever um horizonte para daqui a dois anos. “Não temos certeza sequer sobre o que acontecerá daqui a um mês. Se tentarmos prever onde estaremos com muita antecedência, vamos errar.”

É preciso ter uma direção, mas alinhada a um planejamento flexível e constantemente revisitado. É por isso que hoje se fala em propósito e não mais em meta. Levy exemplifica: “Eu não sei onde a minha empresa estará em cinco anos, mas sei que ela existirá para fazer o bem à comunidade, para impactar positivamente o mercado, para crescer. Esse propósito precisa estar definido em um planejamento porque, caso contrário, será impossível engajar quem faz parte da organização”.

As corporações estão seguindo um curso já tomado pelos indivíduos. Se hoje muito mais pessoas fazem terapia, por exemplo, ao mesmo tempo as empresas se voltam a esse raciocínio. “Já que não existe mais um gabarito de certo e errado, as organizações precisam analisar o tempo todo os seus movimentos e perguntar: isso está fazendo sentido para todos? Elas deixam de priorizar a força de trabalho manual para dar espaço ao pensamento de seus colaboradores. Por que tantas empresas incentivam seus funcionários a fazer terapia? Porque elas precisam deles por inteiro, e para isso é necessário saúde e bem-estar físico, emocional e espiritual, com capacidade de ver, sentir, perceber cada ação tomada”, explica Levy.

 

Nesse contexto, muitas crenças são deixadas para trás. Mas antes de definir o que fica e o que vai embora, é preciso estar pronto para mudar de ideia, errar, aprender e tentar novamente. O líder em um mundo VUCA sabe que sua antiga ilusão de controle e comando deve sair de cena para dar espaço a um caminho onde a regra do jogo é sentir e responder – da forma como você achar melhor neste momento. Amanhã, tudo estará diferente.

O sucesso destas empresas é resultado
das competências de seus líderes