Basta de comando e controle, inspire movimentos!

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Por Daniel M. Ely | CTO das empresas Randon

As estruturas de organizações tradicionais são, via de regra, ainda hierárquicas e verticais. São estruturas que funcionam muito bem para gerar uma maior capacidade de execução das empresas e uma drástica redução da variabilidade dos processos e consequentes erros ou desperdícios.  De alguns anos para cá, as organizações precisaram também incrementar a sua capacidade de inovação e adaptação através da colaboração entre diferentes atores (internos e externos). Sem perder, é claro, a sua capacidade de execução. Como inspirar e influenciar mais movimentos organizacionais ao invés de cairmos na tentação de querermos controlá-los? É possível fazê-lo em ambientes hierárquicos, onde o medo do erro ainda faz parte do comportamento individual e coletivo das pessoas? É exatamente sobre isso que iremos tratar neste artigo!

Comandar e controlar exigirá 10 X mais esforço do que influenciar e inspirar

Em 2019, um amigo me fez uma pergunta que me provocou uma reflexão importante. Me tirou do “piloto automático” e me fez pensar sobre a mudança do meu modus operandi nos últimos 3 a 4 anos. Ele me questionou como eu conseguia me envolver e liderar projetos tão distintos em organizações tão diferentes e, ao mesmo tempo, ter as pessoas de cada um desses projeto tão engajadas e motivadas em levá-los adiante. Eu não demorei muito para responder. Falei do coração sobre algo libertador que aconteceu comigo nesse período: descobri que comandar e controlar, além de não mais me representar, exigia 10 vezes mais esforço do que influenciar e liderar! Mais do que isso, descobri que não dispunha mais desse tempo e que eu pouco agregaria valor a esses movimentos e pessoas se continuasse a pensar e agir da mesma forma. Percebi que era prisioneiro de algo e que somente eu poderia fazer diferente para me libertar!

Ao longo dos últimos anos, procurei compreender como eu poderia me tornar dispensável do modelo de comando e controle e ganhar fôlego e tempo para coisas mais preciosas e importantes no meu julgamento. O que eu deveria fazer para conseguir entregar mais energia e paixão em algo que eu sempre acreditei:  potencializar as pessoas naquilo que elas têm de melhor! Na verdade, estava eu enfrentando o dilema de como me tornar menos gestor e mais líder. Alguém capaz de inspirar e influenciar positivamente o dia-a-dia das pessoas que me cercam, mas sem perder de vista a capacidade de execução e entrega de minhas equipes. Uma mudança que, hoje, posso dizer libertadora para mim (e para os meus liderados), ou seja, um divisor de águas em minha jornada!

1 – Entenda que precisamos conviver com os dois modelos até que a transição seja realizada

Por já ter passado por isso, posso antecipar a quem esteja interessado em fazer o mesmo movimento que esse caminho é possível. Ainda que desafiador, pois a mudança começará, obviamente, por você: pelos seus medos e suas angústias de não responder ao modelo antigo, no tempo e na forma como fomos treinados e condicionados a fazê-lo nas últimas décadas. Será necessário abrir mão da maneira como aprendemos a ser reconhecidos e valorizados por nossas nas organizações, nos apegarmos a algo incerto, cujos os processos organizacionais mais tradicionais tampouco reconhecem ou valorizam como deveriam. Além disso, precisaremos estar conectados à necessidade de trocarmos nossas certezas por nossas vulnerabilidades.

Sabendo que, num primeiro momento, você terá que administrar uma transição entre esses modelos e referências, com altos e baixos na aplicação de ambos. Ao delegar mais o comando e o controle, sentirás falta de ter todas as informações em suas mãos no momento e na forma como desejaria. Terá que administrar um período de respostas insuficientes de sua equipe. Lembre-se que os seus liderados também precisarão de um tempo para readequar o seu estilo de gestão replicar a mesma forma de pensar e agir com os respectivos membros de suas equipes.

Você terá, na prática, que diminuir as suas reuniões de acompanhamento e follow-up diárias, semanais, quinzenais e/ou mensais. Entretanto, na mesma proporção, você irá aumentar o seu tempo dedicado a conversas sobre carreira, futuro e anseios individuais de seus liderados. Irão surgir inúmeras novas necessidades, que irão demandar um outro tipo de ação e dedicação.

2 – Inspire Movimentos, mas não caia na tentação de querer controlá-los!

Segundo Charlene Li, em seu livro “Mindset de Disrupção”, essa é a parte mais difícil para orientar uma estratégia de crescimento disruptivo, ou seja, como criar uma estrutura capaz de orientar e inspirar um movimento dentro da empresa e deixá-lo caminhar sozinho.

Com base em minha vivência recente e inspirado pelos pensamentos da Charlene Li, criei o meu próprio road map sobre o que se faz necessário aprender e praticar para influenciar e inspirar movimentos, ao invés de controlá-los e comandá-los. Tudo ocorrerá, primeiramente, sob uma lógica de abundância e não mais de escassez. Movimentos são criados através de uma verdade e propósito comum. E irão lhe exigir um nível de vulnerabilidade para colocar-se ao lado das pessoas envolvidas e, não mais, a frente delas. Seu conhecimento e experiência acumulados serão importantes, porém, deverão apenas apoiá-lo na orquestração de todos os seus movimentos e equipes. Contudo, em hipótese alguma, deverão lhe colocar em uma posição de liderar a execução, ou seja, de “chefia” e comando.

Como bom gestor você e eu fomos ensinados a dar as respostas. Como líderes teremos que utilizar toda a nossa experiência e conhecimento para propor as perguntas corretas, que irão desencadear a inquietação, a curiosidade e a utilização de nossos potenciais!

Você precisará de paciência e resiliência para lidar com os tropeços, altos e baixos de qualquer movimento novo. Muita verdade e coerência entre seus discursos e suas práticas. Agora, duas competências posso lhe adiantar que deverão ser somadas a tudo isso e terão um papel fundamental para o sucesso dos movimentos que você irá influenciar e inspirar. Primeiramente, a habilidade para criar narrativas que engajem as pessoas em uma visão comum e, por fim, a capacidade de identificar os primeiros seguidores de cada movimento.

3 – Crie narrativas

Sem dúvida, essa é uma das principias competências de líderes que se diferenciam no meio desse novo contexto de mundo VUCA, MUVUCA e/ou BANI. Qualquer uma dessas siglas exigem líderes que consigam inspirar e influenciar o surgimento de movimentos únicos e inéditos. Que saibam promover junto as pessoas um ambiente de maior “segurança psicológica”. Que apoiem as pessoas a trilharem caminhos desconhecidos e a buscarem metas, extremamente, ousadas em relação ao status quo.

Nesse sentido, não conseguirá trabalhar com apenas uma narrativa. Ela será única em seu propósito, valores e visão de futuro, porém deverá ser contada com as nuances que mobilizam a ação e o engajamento de cada membro de sua equipe que é único. Uma boa narrativa já provoca resultados diferenciados, mas essa mesma narrativa personalizada, a cada ser único de sua equipe, provoca resultados extraordinários!

Dedicamos pouco tempo para desenvolver e exercitar essa competência ao longo das últimas décadas. Estivemos muito focados no desenvolvimento de competências que regiam os modelos de comando e controle do século passado. Por consequência, a maioria de nós tornou-se um gestor extraordinário, mas poucos de nós tornaram-se verdadeiros líderes!

4 – Defina os primeiros seguidores de cada movimento

Todo movimento precisará dos primeiros seguidores para prosperar. Você até pode iniciar o mesmo propondo uma “dança” diferente para sua organização.

Como falamos anteriormente, terá que ter coragem e resiliência para dançar sozinho em um primeiro momento. Entretanto, o que irá impedir-lhe de (e sua respectiva narrativa) tornar-se “insano” diante de sua organização serão as primeiras pessoas que vierem dançar com você. Talvez nem dancem no mesmo compasso, ou mesmo, já criem suas próprias danças na largada. Mas, essas pessoas serão fundamentais para encorajá-lo a não desistir. Da mesma forma, irão encorajar a toda uma outra plateia, que ainda estará assistindo passivamente, para que esta possa, assim, somar-se a esse movimento, obviamente, se isso fizer sentido a ela.

O trecho desse vídeo irá melhor explicar o momento exato que a nossa ousadia (e resiliência) de “dançarmos” sozinhos poderá inspirar os primeiros seguidores a somarem-se a esse movimento.

Uma dica importante para você exercitar essa competência é a de começar a “dançar” em um ambiente onde você acredite que possam estar alguns dos seus potencias “primeiros seguidores”. Depois disso, seu papel passará ser o de orquestrar os movimentos de todos e curtir a beleza da dança que será criada pela soma da contribuição e engajamento de cada um nesse processo. Também é importante manter esses primeiros seguidores sob a sua mentoria até que os resultados iniciais possam ser percebidos, no intuito de fazer com que cada um deles sinta-se confortável em replicar esse modelo com suas respectivas equipes e/ou projetos que irão liderar.

Faça isso e seja um ímã para novos talentos

Trocar e substituir 50 a 60% de suas atividades, hoje relacionadas ao processo de comando e controle, por atividades relacionadas a influenciar e inspirar movimentos parece ser, em um primeiro momento, algo impossível. Acredite na dica desse jovem líder e verá que algumas coisas irão, naturalmente, acontecer. Um ciclo virtuoso e libertador o deixarão cada vez mais distante do modelo anterior e suas mazelas!

Tão libertador que a situação anterior passa a não mais ser desejada. Ficando cada vez mais distante do seu dia-a-dia. Surgirão, ao longo desse processo, novos líderes. Talvez até mais disruptivos que você, que irão assumir a liderança de novos movimentos, bem como, dos próprios movimentos iniciados por você. Mas, principalmente, tornar-se-ão novos dançarinos, livres de qualquer obrigação de dançarem conforme a música ditada pelos sistemas de comando e controle. Estes, por fim, criarão um senso de tribalismo, no qual o respeito e a valorização da diversidade tornam obsoleta a cultura de valorização do herói, da hierarquia, de egos e de vaidades!

Faça tudo isso com muita verdade e propósito. O tempo livre que tiver ao libertar-se do comando e do controle, pode ser investido em formar e inspirar outros gestores tradicionais a fazerem o mesmo. Você estará presente, de uma ou outra forma, no dia-a-dia de seus liderados, dos seus primeiros seguidores, dos intraempreendedores de sua organização. Enfim, terá mais tempo para todas as pessoas que estão na organização e querem utilizar o seu potencial e competências no sentido de gerar impactos positivos não apenas para a sua organização, mas para a sociedade como um todo!

Se você gostou, entre no canal Reflexões e Conexões no YouTube (link abaixo) e assista a um vídeo com dicas e informações complementares sobre este artigo da série!

Sugestões de livros sobre o tema:

Matéria escrita por Daniel M. Ely | CTO – Chief Transformation Officer das Empresas Randon , em seu site no dia 28.12.2020. Acesse:

https://elydaniel.site/artigo/basta-de-comando-e-controle-inspire-movimentos

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